Sunday, May 20, 2018

Não seja assim tão duro


Usando um pouco da autoajuda que aprendi lendo Richard Bach na oitava série (atual nono ano) em 1982: a gente ensina melhor aquilo que ainda precisa aprender.

Então segue uma tradução muito despretensiosa mesmo, juro, de "Be Not Too Hard", do poeta Christopher Logue. "Be not too hard": eu que quase estourei de stress neste mês de maio.

Poema musicado por Donovan, que Ken Loach usou logo no começo de seu Poor Cow, 1967. No mesmo ano, Joan Baez eternizou sua versão. Reparem: Donovan, Loach, Baez.

Em 1974 foi a vez do Manfred Mann fazer a sua, linda linda, no álbum The Good Earth.


Be not too hard for life is short
And nothing is given to man
Be not too hard when he is sold or bought
For he must manage as best he can
 
Be not too hard when he blindly dies
Fighting for things he does not own
Be not too hard when he tells lies
Or if his heart is sometimes like a stone
 
Be not too hard for soon he'll die
Often no wiser than he began
Be not too hard for life is short
And nothing is given to man
And nothing is given to man

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José, deixa disso, a vida é curta
nada é dado ao homem ou à mulher
Não seja tão duro quando ele é vendido e comprado
Ele faz o melhor que pode

Não seja duro quando ele morre às cegas
Lutando pelo que não tinha
Não seja assim tão duro quando ele mente
Ou quando o seu coração vira pedra

Não seja, não seja assim tão tão duro
Daqui a pouco ele morre
(Mais sábio do que ao nascer?)
Não seja tão duro, a vida é curta
e nada, nada é dado aos homens
nada é dado aos homens


Nem toda rua terá nome sem graça (parte VIII)



Depois de resgatar do oblívio as postagens sobre caquinhos (aqui), resgatemos também as das ruas com nomes interessantes, que ano passado passou em branco.

Sim, que nem toda rua será Sr. Dr. Sacanagildo de Freitas Silva.

Duas de Tiradentes, três de São João Del-Rei. Eu queria tanto morar numa Rua do Moinho. Melhor que isso, claro, só Alphonse Daudet.  

Lembrando que também nós cariocas temos uma Rua de Jogo da Bola, no Morro da Conceição. 

Outras postagens com nomes de ruas legais: aqui e aqui.





Saturday, May 19, 2018

Pisos de Caquinhos :: Nova Série



Em 2016 fiz várias, ano passado nenhuma, embora tenha feito menção a eles (os pisos de caquinhos) em postagem sobre o bairro do Ypiranga, em São Paulo. Mas voltemos às justas postagens individuais sobre eles (os pisos de caquinhos), também ameaçados de extinção em face dos novos gostos, novas vontades, que parecem preferir a sem-gracice das lajotas brancas. Ou talvez porque associe-se, corretamente e com muito orgulho, tais pisos a casas suburbanas. Coisa de pobre.

A pequena messe traz Penha, Rio Comprido. De lambuja, um em São João Del-Rei, em casa neocolonial hispânica bem em frente ao Dedo de Moça, onde se come excelente acarajé mineiro.

Outras postagens: aqui, aqui e aqui.





Friday, May 18, 2018

Lúpulo Mantiqueira, 100% Brasileiro


Tinha grande curiosidade de beber uma cerveja feita com lúpulo brasileiro, pois se trata da primeira vez na história em que se fez cerveja por aqui usando-se um lúpulo nativo. O lúpulo, vocês sabem, é trepadeira dos países frios, de que se usa a flor feminina para conferir amargor à cerveja. Sendo também um conservante natural (o que explica a origem das IPAs), o adorável lúpulo faz dispensar os conservantes químicos,que nada agregam de bom à bebida.

Se não me engano, a Baden Baden foi a primeira a produzir com o lúpulo mantiqueira, assim batizado por ter nascido como que por acaso, espontaneamente, em uma fazenda na adorável São Bento do Sapucaí (aqui). Espontâneo ma non troppo: não se trata de passarinho que papou o lúpulo na República Tcheca e fez seu cocozinho por aqui. Não. Rodrigo Veraldi já tentara plantar a trepadeira. Não vingou, ele desistiu, descartou a planta. Passado algum tempo, ela cresceu.

Então, no TremBier, o festival de cerveja de Tiradentes, demos com a Timboo, de Juiz de Fora, com a sua Mantiqueira, uma Brazilian Pale Ale, feita também ela com o lúpulo mantiqueira.

A história é ótima e a iniciativa, assim esperamos, seja verdadeiramente ensejo para uma grande produção futura. Isso não significa dizer que a cerveja em questão fosse uma maravilha. Indecisa entre IPA e sour, muito seca, não teve o amargor esperado. No nariz, tampouco impressionou muito, embora sentíssemos frutas vermelhas. Falta acertar. Coisas de terroir talvez.




Thursday, May 17, 2018

reconhecê-la no gozo



amar será desconhecer
desconhecer o corpo
amado
dele acercar-se cego
criança cega que pensa
seu brinquedo favorito
dele acercar-se mudo
para nele tartamudear as sílabas do teu sexo
do teu sexo que este poema não é poema geral sobre amor essas pretensões
é poema pra você
em que se mistura tu e você porque amar é desconhecer
a língua
para reconhecê-la no gozo

Crônicas Tiradentinas I :: Bichinho


É conhecida por Bichinho, mas o nome de pia é Vitoriano Veloso e, embora quase todos cheguem lá  de Tiradentes, é distrito de Prados. Não gosto de cidades com nome de gente assim, mas no caso de Vitoriano Veloso faça-se ressalva: trata-se de inconfidente mulato, alfaiate, o único inconfidente mulato, pelo menos o único de certa proeminência naquela leva traída por Joaquim Silvério dos Reis.

Vale a visita, claro. Tem igreja velha, com cruzeiro à frente e placa onde se lê a sentença de condenação de Vitoriano. Tem paços, tem muito, muito artesanato e arte, pena que quase sempre com preços tiradentinos. Tem cachaça à vera, tem o tempero da Ângela que, para ser perfeito, precisa só de uma rede pra depois do almoço. Com um gato amarelo pra acariciar. 














Sua mãe a chamava de Tabaroa








Wednesday, May 16, 2018

Mosaico na Haddock Lobo



Que a Haddock Lobo tem suas joias é óbvio. Mas óbvio para olhares atentos, óbvio para ledores e reledores de Pedro Nava, já que ali ficava a Pensão Moss (no mesmo número 252), ali ficava e fica o Palacete do Pavão (ver aqui, aqui), que este humilde blogueiro tem por mais bela casa do Engenho Velho, ali ficava a Farmácia Capelleti, ali ficam os Capuchinhos, que simplesmente guardam o marco da cidade.

Então é andar de olhos atentos.

Aí descobri esses mosaicos. 

Registros feitos com a anuência dos desconfiados porteiros, em meio a dois portões de grades pontudas. De modo que não deu para caçar assinaturas nas extremidades inferiores.

Mosaico é já trabalho fino. Este, reparai, como faz uso de tesselas de diferentes formas.



Sunday, May 13, 2018

Gozando Junto XXXI ::: em Tiradentes


Segue mais uma da série. Conforme o título, toda em Tiradentes, menos a do casório que é na vizinha São João Del-Rei.